Adeus

domingo, 1 de novembro de 2009

Quando o espírito padece
As forças se esvaem
Tal qual uma gota de água que escorre e depois morre pelo calor
Assim se vai o último suspiro de vigor
A noite obscurece tudo

Mistérios a enchem com seus laços
Levando-a cada vez a um lugar mais distante
Longe de tudo o que se possa tocar
Somente lembranças do que aquilo foi um dia
Lembranças e nada mais...

E na densidade do escuro
Escuta-se apenas um suspiro abafado
O antigo fôlego torrente agora mina seus frágeis respingos
A fonte da vida agora é manancial do nada
Os olhos se fecham num breve adeus ao mundo

E aquele coração agora imóvel só queria bater por alguém...




Tempo em labirinto

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O ontem de hoje
O amanhã de ontem
O agora de tarde
O breve de jamais
O sempre de nunca
O cedo de já
O antes de depois
O logo de outrora
O antigamente de novamente
O brevemente de raramente
O entrementes de imediatamente
O às vezes de ainda...
Tempo, tempo, tempo, tempo, tempo...

Querer sem fim

sábado, 12 de setembro de 2009

Eu quero um lugar para descansar
Eu quero um rio transparente para mergulhar
Eu quero um ombro amigo para chorar
Eu quero um colo para deitar
Eu quero um oásis para me saciar
Eu quero uma relva verde para me jogar
Eu quero uma causa para morrer
Eu quero um motivo para viver
Eu quero um ideal para manter
Eu quero flores para colher
Eu quero alguém para querer
Eu quero em teus braços adormecer
Eu quero uma cama para dormir
Eu quero um sorriso para sorrir
Eu quero uma dor para me despedir
Eu quero um sonho para perseguir
Eu quero uma leveza para cair
Eu quero um sem-fim para partir
E eu apenas quero, sem fim...

Salmo


Tu vês além das frágeis aparências
Enxergas o que nenhum olho pode ver
Conheces meu coração em cada dimensão
E sabes a palavra que eu não consigo expressar
És a nota mais perfeita da minha canção
O sorriso fabuloso da contemplação
Em ti eu me lanço pois no teu amor encontro onde repousar
Tu acalmas toda a temerosidade do meu ser
No silêncio tu és a minha voz
Pleno de graça e sublime misericórdia
A Ti me rendo e me dou por inteiro
E te reconheço no meu caminhar
Maravilho-me na tua perfeita criação
Mergulho em tuas águas profundas
Meus lábios te louvam com toda intensidade
Minha alma se alegra na tua presença
E ao fechar os olhos te sinto na quietude
Pois és tu somente que me entendes em toda essa minha confusão

Dissimulada

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Ó, deusa, que habitas em todos os seres
Dize-nos: quem é teu pai ou tua mãe?
De onde viestes para a nós atormentar?
Ó, deusa, fulgaz e atroz
Quem pode vencer a tua voz?
Teus cantos são cantos de morte
E a sanidade dos homens as arrebata para ti
Envolves-nos em teus laços e atas-nos aos teus grilhões
Ó, deusa, de onde viestes e para onde vais?
Mistérios sombrios são tua aura negra
Coroa de espinhos celebram tua majestadade
E de tua divindade não se pode duvidar
Deusa, deusa banhada em barbárie
Tua sina é escravizar a justiça
E assim te enches de poder
Glória, honra e força nos teus altares
Erigidos por teus serviçais do mal
Venerada te tornas
Tão amada, idolatrada, salve, salve
Ó, deusa, amaldiçoada deusa
A quem chamam de Dissimulada, no reino da Hipocrisia

AMORte... aMORTE!


O amor comeu a minha paz
O amor me encobriu
O amor me despedaçou como pétalas
O amor me tornou em cacos
O amor me sangrou
O amor me anulou
O amor me fez sentir dor
O amor ruiu meu chão
O amor me jogou na lama
O amor me deixou pesado
O amor me trouxe culpas
O amor me causou pesadelos
O amor me torturou
O amor me tirou a visão
O amor me fez sofrer
O amor me diminuiu
O amor roubou de mim o sossego
O amor quase me enterrou...
É preciso saber amar as coisas certas, pois a diferença exata
entre amor e a morte é apenas um -te ...

Um ano de caminhada!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Um ano na estrada... ou melhor, um ano No Caminho. Na verdade, tenho muito mais tempo neste Caminho, mas foi há um ano que firmei o propósito de fazer dEle meu único Caminho, e conduzir minha caminhada em passos de Graça, Fé e Amor. Dia 07/09/08, um dia para sempre marcado.

Lembro-me, como se fosse hoje, eu todo empolgado com meu novo modo de vida. As feridas ainda abertas da religião, as opressões, as incoerências, as mentiras, as hipocrisias, os julgamentos condenatórios, as negociações da Graça, as aparências de santidade, as máscaras, tudo isso opondo-se ao amor, à paz, à tranquilidade, ao sentimento de perdão, ao senso de gratidão, à pacificação em que minha mente, meu coração e meu corpo se encontravam.

Talvez eu nunca mais volte a experimentar a maravilha daqueles dias, entre novas descobertas e reais decepções. Eu precisava descansar, descansar meu ser naquele que, embora encoberto pelo ambiente em que eu me encontrava, sempre havia habitado no mais íntimo da minha alma. Sim, o Deus de amor, o Pai misericordioso do filho perdido, o Jesus das pessoas simples e falhas, sem nenhuma caracterização aparente de moralismo, o Bom Pastor, que deixa as 99 ovelhas e vai em busca daquela única ovelha perdida e desgarrada, eram uma verdade em mim desde sempre. Lá no fundo eu sabia, pois, por mais que tentaram me enganar e me vender a ideia do deus carrasco, sadista, 'churrasqueiro', infantil e esquizofrênico, eu sentia que tal deus não era o Deus do amor por quem meu coração batia desesperadamente e buscava com anseio. Sim, tal deus sangrento e desejoso da morte nunca me atraiu. Eu não podia crer num deus que amasse as pessoas menos que eu; não podia chamar de pai um deus que fosse menos misericordioso que eu. NÃO! NUNCA! JAMAIS!

Eu não via tais traços no Deus transbordande de Amor, Graça e Misericórdia de Jesus. Pelo contrário. Via o Deus-pai-desonrado pelo filho, que o desrepeitara ao pedir sua herança estando o pai ainda vivo, o que significava dizer que este filho estava considerando o pai como morto, correr ao encontro do filho ingrato quando o havia avistado de longe, e se lançar nos braços de seu descendente, não permitindo que este, sequer, pedisse perdão. E mais, ordenou que trouxessem a melhor roupa, uma sandália, um anel, e que matassem o melhor bezerro, para todos festejarem e se alegrarem com o filho que, nas próprias palavras do pai, "estava morto, e reviveu, tinha se perdido, e foi achado".

Que amor grandioso é esse? Jesus foi fantástico ao narrar esta parábola, ainda mais porque exemplificou aqueles que podem ficar de fora da festa.

Ora, o irmão mais velho do rapaz, notando todas as músicas e danças na residência de seu pai
(é, na casa do pai a gente balança o esqueleto também em sinal de alegria), e informando-se a respeito do que estava acontecendo, não quis entrar, de tão indignado que estava. E o pai, sempre paciente, sai ao encontro do filho injuriado, como narra Jesus:

"E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos;
Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.
E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas;
Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se."


Fica claro que os que ficam de fora são os que não aceitam a Graça de Deus sendo derramada no mundo; são os que a rejeitam por se considerarem dignos demais; são os cheios de justiça própria, que não reconhecem que a aceitação é dom de Deus, pela Graça; são os que não entram e nem deixam que os outros entrem; são os religiosos que pensam que por seus próprios méritos alcançarão a misericórdia divina, quando esta mesma misericórdia vem única e exclusivamente pelo fato de Deus nos amar. Depende dele, não da gente. Ele é quem se move, é o pai que vai em direção ao filho. É o pastor que sai à procura da ovelha perdida. É isso. Como diz Philip Yancey, "não há nada que possamos fazer para que Deus nos ame mais, e não há nada que possamos fazer para que Deus nos ame menos. Deus nos ama pelo que Ele é, não pelo que nós somos, e Ele nos ama o tanto quanto um Deus de amor pode amar." Eis o fato! Não há segredo, não há mistério! Deus já saiu ao nosso encontro. Ele já correu em direção a nós, quando enviou Jesus ao nosso meio. O Cristo, que rompeu com todos os sistemas da época, que pregou a verdade e o amor, que ensinou-nos a andar como o vento, sem saber para onde ir, mas apenas ir, soprar, levemente, que chamou de raça de víboras os santos da época, e chamou de amigo os pecadores mais impuros e safados; o Cristo que oferecia vida, e vida em abundante; o Cristo que deixava as pessoas irem e viverem suas vidas, agora transformadas pelo poder do amor e da consciência do perdão; o Cristo que nunca quis formar um clube ou fundar uma religião, não sendo assim pai do cristianismo; o Cristo que pedia para as pessoas serem apenas elas mesmas, sem fingimentos, sem máscaras; o Cristo manso, suave, amoroso, que tanto comparecia aos 'forrós na casa de Mateus, quanto nos almoços dos fariseus'; o Cristo que andava entre gente, entre as pessoas, entre as multidões, entre ricos e pobres, entre flagelados e pessoas da elite social; o Cristo simples... o Cristo que morreu e ressuscitou, vencendo assim a morte e o mundo! O Deus conosco (Emanuel) agora é, melhor ainda, DEUS EM NÓS!

Perdi, perdi muito tempo na religião. Perdi muito tempo entre debates exaustivos e sem nenhuma importância essencial sobre "sexo dos anjos", como diz o Caio Fábio, a quem eu devo meu amor e meu respeito por tudo que ouvi e aprendi deste filho amado por Deus. Agradeço a Deus por sua vida e pelos seus extensos anos de amor e dedicação ao verdadeiro, genuíno, e sincero Evangelho!

Agradeço ao Ivo, a quem me recebeu com seus braços de amor naquela roda no dia 06 de setembro de 2008, na Praça Verde, e a quem me recebeu novamente como filho no dia 07 seguinte. Obrigado pelos momentos em que você me escutou, quase que em lágrimas algumas vezes, e tão profunda confiança e companheirismo me passou, e a quem hoje eu não tenho nenhum medo de ser quem sou quando desabafo com você. Ivo, com suas palavras, me ensinou a ser autêntico, e a saber que, mais importante que tudo, devo ser quem eu sou, Nele, no Totalmente Outro. É impossível descrever aqui o quanto aprendi com você neste ano de Caminhada, e lhe sou imensamente grato!

Hugo e Vanessa, companheiros amados de carona, de conversas no carro, de risos. Casal que amo demais, e super quero bem. Hugo me ouviu e leu tanto também, quando dos meus problemas e tempestades. Vanessa tornou-se minha irmã, e é difícil a gente não ouvir hoje um: vocês são irmãos? Que Deus os abençoe muito!

Gelson, amigo da alma. Rapaz do coração enorme, que me ensinou a abraçar com afeto. Das idas e vindas, das diversões, das músicas, das brincadeiras, das 'Heineken's', da amizade. Meu grande irmão do Caminho!

Gilson, que me deu meu primeiro abraço entre Os do Caminho, e me acolheu tão bem quando adentrei por aquele portão preto de ferro. Do prestativismo, do povo, dos amigos, das festas em sua casa. Abração em você e no pessoal da Barra!

Cândido, a quem me proporcionou divertidas e hilárias conversas, das reflexões profundas sobre o ser, sobre o sistema, da autenticidade do ser também.

Janilson, camarada d´água, também dos abraços fraternais e cheios de amor. Do viver leve, sem deixar que a vida escorregue.

E a todos que neste ano passaram, vieram e voltaram, permaneceram e foram, que, de alguma forma, entraram no meu Caminho, recebam meu sincero agradecimento!

Que permaneçamos Nele, naquele que é o pão da vida, a luz do mundo, o sal da Terra! Naquele que veio reconciliar-se com todas pessoas, não levando mais em consideração os seus pecados.

Que possamos caminhar em Amor, Fé e Esperança, sendo o maior, destes três, o Amor!

No Caminho, que é uma pessoa... no Caminho, que é Jesus!

"Caminhando e cantando, e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não..."

Erótica...

sábado, 15 de agosto de 2009

Mãos trêmulas
Coração acelerado
Respiração ofegante
Olho nos olhos
Boca na boca
Língua com língua
Tua mão em meu pescoço
Minha boca em tua nuca
Tua língua em minha orelha
Meus dentes em tua carne
Teus seios em minha boca
Minhas mãos em teu corpo
Tuas unhas em minha pele
Minha boca em teu sexo úmido
Teu sexo em meu membro rígido

Nossos corpos em um só corpo
Nossas almas em uma só alma
Nosso gozo infindável...

Aos meus amigos...

domingo, 2 de agosto de 2009

Vinte anos, ou “fintxi”, que é bem mais a minha cara (Atoron um perigon)! Duas décadas passam rápido, mais duas décadas passam rápido... a vida passa muito rápido! E no final de tudo, o que valeu? Quais serão nossas lembranças nas últimas lembranças? Teremos recordações boas, recordações más? Será que estaremos carregados de culpa por aquilo que deixamos de fazer ou dizer, e isso fez uma diferença enorme no decorrer da existência? Ou será que estaremos em completa plenitude, em paz com Deus, com as pessoas e consigo mesmo, ao ter a certeza de que vivemos intensamente em amor e oferecemos vida para outros?

As conveniências do dia-a-dia, os trabalhos e as obrigações, muitas vezes, acabam nos tornando seres robotizados, que apenas obedecem e seguem cegamente as exigências do sistema, e a vida se torna chata, amarga, sem cor, e os dias parecem ser os mesmos, sempre, sempre, e sempre...


Nada de novo acontece, ninguém é mais surpreendido por surpresas de alegria e sensibilidade, rostos fechados e cisudos nos fitam nas ruas, há uma sequidão nos abraços, sorrisos desaparecem pelo viés da formalidade. É assim que tem sido.


Embora muitos ajam dessa forma, eles sabem do que precisam, do que lhes faltam. O mundo está carente de amor, de ações de graça, de abraços grátis, de atitudes voluntárias. O mundo sente falta disso, embora use a máscara da individualidade, que apenas esconde (ou tenta esconder) a falta de afetividade e uma solidão que, quase sempre, acaba com uma bala na cabeça, uma corda no pescoço, um salto de um edifício para a morte. Talvez essas pessoas só precisavam de um abraço e um “conta comigo sempre”, só isso... e às vezes me dói saber que elas precisavam apenas disso. Sinto-me tão pequeno ao saber que não pude estar juntos desses pequeninos de Deus, oferecendo o calor de palavras sinceras, oferecendo um novo caminho de paz, dizendo a eles que a vida pode ser bem maior, se vivida mais leve. Dói saber que por tão pouco, que por ser pouco não significa dizer que seja ínfimo e insignificante, essas pessoas preferiram abdicar de suas existências, cansadas da falta de amor e da solidão sem fim.


Hoje temos essa consciência. Hoje sabemos que o amor muda as pessoas, e assim muda o mundo, gera e renova a vida. Hoje é o dia para amar. Hoje é o dia para fazer alguém feliz. Hoje é o dia de ser feliz!


Não é salutar adiar felicidades, uma vez que estas se mostram saudáveis pro corpo, pra alma e pro espírito, e geram caminhos de vida, de luz e de paz! Só quem viveu sabe a dor de uma felicidade encoberta pelo tempo, a dor de um amor renegado, a dor das atitudes negadas, quando um medo, que se revela infantil e irracional, acaba tomando conta da gente, se apossando de tal forma, que acabamos usando as armas de auto-proteção, e na verdade são essas armas que acabam com nossa vida.

De fato, é bom pensar, refletir, ponderar. Mas quem pensa, reflete e pondera demais não age, não faz, e o tempo passa... e a gente perde a oportunidade de ser feliz e sorrir para a vida!

Que possamos viver hoje, meus amigos! Que nossas vidas sejam como aroma agradável às pessoas! Que elas sejam afetadas por nossas boas ações! Que elas sintam como é bom viver entre amigos e irmãos!


Agradeço a vocês por me darem vida! Agradeço a todos por me permitirem entrar na vida de vocês, e assim receber todas as bênçãos que o contato e o relacionamento entre duas e mais pessoas podem oferecer.


Deus me deu os melhores amigos do mundo.... é, e falo de VOCÊS mesmo! Deus me deu a melhor namorada que eu poderia ter! Deus me deu uma família guerreira e batalhadora! Deus nos deu amor e uma fé que, aliada a uma prática constante, nos faz mover montinhos, montes e montões.


Estou tomado por essa atmosfera de amor, e meu coração fica pequeno, pequeno diante do amor de todos vocês! E o que me alegra mais é saber que está apenas começando, e “o futuro nos reserva infinitamente mais”. Jesus resumiu tudo na seguinte frase: “Ame a Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao próximo, como Deus te ama”. Eis o sentido da vida!


Quem ama é filho de Deus, é nascido de Deus, pois Deus é amor! Sendo assim, que possamos amar sem reservas e sem preconceitos... até o fim de nossas vidas!

“Eu não sei se a vida é maior que a morte, mas o amor é maior que ambas...”

Obrigado por vocês existirem... vocês são muito importantes pra mim, e eu preciso tanto de
vocês! Não me deixem, por favor!

Com amor...


Joey...

02/08/09